Sempre tive vontade de fazer uma viagem para esquiar como objetivo principal, mas nunca tinha feito isso. Fui então chamado por alguns amigos para passar uma semana na estação de Las Leñas, Argentina, e aceitei!
Las Leñas fica relativamente próxima a Mendoza e Santiago do Chile e o aeroporto mais próximo é o da cidade de San Rafael, Argentina. Entretanto, não fica muito próxima às cidades e a maioria dos esquiadores se hospeda na própria estação, diferente de Cerro Catedral (Bariloche) ou Valle Nevado (Santiago), por exemplo.
Ficamos no apart-hotel Cirrus. Um bom hotel, mas que poderia ser um pouco melhor. Destaque negativo para o fato de a água para banho ser aquecida por boiler, que não dá vazão a muitos banhos seguidos. O último tomava banho gelado!
A rotina numa estação de esqui é acordar cedo e ir para as pistas, voltando só no fim da tarde. Com o passar do tempo fica cada vez mais difícil acordar cedo devido ao cansaço e dores oriundas dos tombos... Mesmo assim cumprimos nosso papel e fomos bravamente às pistas durante os seis dias que ficamos por lá.
Existem três restaurantes nas pistas e mais alguns na base da estação como opções para o almoço, e a noite eles oferecem bons pratos para o jantar, mas com preços altos, principalmente para os padrões argentinos. Para economizar é possível comprar comida no mercadinho de lá e fazer no hotel.
Outra forma de diversão em Las Leñas são os bares/boates. Lá pras duas da manhã alguns restaurantes “se transformam” em boates e galera que agüenta cai na noitada. O UFO Point é o mais famoso deles.
O restaurante Brasero oferece um happy hour a partir das 16:30h com caraoquê ao vivo. Boa opção para tomar um vinho ou cerva e ainda cantar uma musiquinha. Depois de um dia de esqui e cheio de relaxante muscular na idéia, é uma boa pedida... Mas fácil que cair na noite ás duas da manhã!
Recentemente muitas pessoas (assim como eu) têm ficado horas e horas nos aeroportos argentinos por conta das cinzas do vulcão, bagunça de companhias aéreas ou os dois.
Para os amantes do futebol (novamente assim como eu) há uma atração no Aeroparque que ajuda a passar as intermináveis horas de espera. Eles fizeram um Museu de Futebol por lá com algumas camisas importantes de seleções sul-americanas. A exposição não é muito grande, mas bem interessante.
Não consegui saber até quando o Museu do Futebol fica exposto, espero que permanentemente.
Museu de Futebol no aeroporto Aeroparque (Buenos Aires)
Diego Maradona (ARG) - 1986
Pelé (BRA) - Copa do Mundo 1962
Gabriel Batistuta (ARG) - campeão Copa América 1991
Branco (BRA) - campeão Copa América 1989
"El diablo" Echeverry (BOL) - 1993
Romerito (PAR) - 1980
Rivellino (BRA) - Copa do Mundo 1978
Uruguai - campeão Copa América 1995
Gabriel Batistuta (ARG) - campeão Copa das Confederações 1992
De volta a Buenos Aires, me hospedei no albergue Portal Del Sur. Um lugar bem bacana também, com um bar no terraço. Lá conheci um bando de escoceses que me chamaram pra jogar bola com eles.
Essa foi a minha segunda experiência futebolística com o povo da escócia e igualmente à primeira, fez uma bela massagem no meu ego boleiro. Se eu soubesse disso há uns 10 anos atrás, teria tentado a carreira de jogador em terras escocesas.
Ainda estava em Buenos Aires um pessoal que eu conheci antes de ir pra Bariloche, e esse pessoal já tinha feito mais amigos e tal... Formamos um grupo de brasileiros e fizemos alguns passeios por lá.
Como a trip tava bem boa, prorroguei minha estada lá por mais alguns dias e então voltei ao albergue Milhouse, onde estava esse grupo brasilis.
A noitada em Buenos Aires começa e acaba tarde, assim como em Bariloche e é difícil levantar cedo no dia seguinte. Por isso nossos passeios eram a tarde ou a noite.
Quando fui embora, bateu uma vontade ainda maior de ficar, mas não dava. Então certamente vai ter Buenos Aires parte 4, 5, 6 etc...
Dicas:
-Albergue Milhouse: Bem conhecido e está sempre cheio. É bom fazer uma reserva, pois corre o risco de estar lotado. Ambiente festivo e com atrações diferentes todas as noites no seu bar, que fica aberto para não hóspedes também.
-Albergue Portal Del Sur: Muito bom também. Tem um bar bem legal no terraço. É mais calmo que o Milhouse, mas também é bom para conhecer gente.
Futebol com os escoceses (o do canto esquerdo é canadense e o japa é brasileiro)
Estádio Monumental - River Plate
Sala de imprensa do estádio Monumental
Restaurante Siga la Vaca
Albergue Milhouse (Zé, Vinis, Aninha, Dani e eu)
Cantando Guantanamera com o tio mexicano!
Albergue Milhouse (Dani, eu, Aninha, Vinis e Rafas)
Comendo um poderoso super pancho no fim das noitadas (sempre matava a larica da madruga)
Vôo transferido, horas e horas no aeroporto e dormir em seu chão duro e frio... Quem anda de avião tem que segurar essa peteca, e com as confusões da Aerolíneas Argentinas, lá estava eu, conhecendo todo o Aeroparque (aeroporto menor de Buenos Aires, dele que se pega o vôo para Bariloche).
Depois da espera interminável finalmente vamos pra Bariloche!
Lá chegando, fui pro albergue que tinha reservado e depois dei um rolé de reconhecimento pela cidade.
San Carlos de Bariloche é uma cidade bem bonita. Fica a margem do lago Nahuel Huapi e é um pico para atividades “outdoor” tanto no inverno quanto no verão.
No dia que cheguei, teve Brasil x Argentina e eu assisti no albergue com um argentino lá. O cara era gente boa. Fiz amizade com ele e depois fomos prum pub tomar umas cervas.
Os argentinos em geral são pessoas bacanas, mas têm um hábito complicado: Eles cumprimentam seus amigos com um beijo no rosto, ou seja, cumprimentam homens e mulheres de forma igual.
Até aí, nada demais, mas o cara me considerou seu amigo...
Sabe quando você aperta a mão e dá um tapinha nas costas? Então. Nessa hora o sujeito te dá uma bitoca na bochecha... Putamerda!
No dia seguinte fui fazer umas trilhas e finalmente conhecer neve.
Peguei uma excursão pro Cerro Tronador, um dos muitos cerros próximos à cidade, e numa das trilhas vi neve finalmente!
Tinham uns ingleses e argentinos comigo nessa excursão e a galera fez uma pequena guerra de neve em homenagem ao meu descabaçamento neváceo!
Existem várias trilhas por lá e o visual delas é bem bonito. Uma leva até um glacier com uma paisagem fantástica.
À noite fui no Wilkeny, um restaurante-pub-boate. De dia é restaurante, a noite é um pub e mais tarde, uma parte vira boate.
Gostei muito de lá. Bom pra fazer uma social ou tentar se dar bem. Eles não cobram entrada, então não tem neurose de hora pra entrar. A boate começa lá pras 2 da manhã, então a galera vai calibrando antes e na hora que o DJ começa a tocar o povo já ta no ponto!
Eu gosto muito de noitadas que começam tarde, pois assim dá tempo de dormir antes e ficar na night até de manhã. Fui lá no Wilkeny três vezes e o único ponto fraco é que tem dia que enche muito, aí nem dá pra se mexer.
Nos outros dois dias que estive em Bariloche, fui no famoso Cerro Catedral, a maior estação de esqui da América do Sul.
Estava um pouco sem esperanças de praticar snowboard (queria muito), por que ainda não havia neve o suficiente então as pistas estavam fechadas. Fui lá mesmo só pra conhecer e bater fotos, mas nesse dia umas pistas abriram! Voltei no dia seguinte pra snowbordear! Só levei minha câmera pequena, pra caber no bolso, mas quando finalmente fui tirar umas fotos em cima da prancha, a bateria acabou...
Na parte de tombos, é claro que tomei um milhão deles, mas nenhum tão espetacular, já que a pista que eu estava usando era bem de iniciantes com pequena inclinação.
Na verdade houve um que vale o relato:
Quando eu já estava mais espertinho no lance de equilíbrio, consegui pegar uma velocidade boa, mas a pista ainda tinha uns pedaços meio “carecas” com alguns galhos e pedras. Bati num galho, fui em cima da pedra e minha prancha cravou a parte da frente. Voei pra frente e aterrisei com o peito e a cara na neve! Foi bem espetacular!
Cheguei a pensar em trocar minha passagem de volta a Buenos Aires pra ficar mais um dia esquiando, pois realmente gostei muito, mas eu tava muito dolorido e provavelmente não conseguiria passar mais um dia em cima de um snowboard. A gente sente dor em músculos que nem sabia que tinha!
Dicas:
-Wilkeny: Boa noitada. Um dos points de Bariloche e não cobram entrada. Muito bom pra quem vai solteiro.
-Transporte ao Cerro Catedral: Existem excursões pra lá, que na verdade só te levam e depois te trazem de volta. O preço é caro (uns 50 pesos) e a única vantagem é que o guia conta a história do lugar. Em contrapartida, existe um ônibus que leva até o Cerro (no mesmo lugar da excursão) e é bem mais barato (3,50). É ônibus normal, que pega-se em ponto. Vale muito mais a pena.
Eu sempre quis conhecer a Argentina. Apesar das sacanagens que rolam entre nós e os hermanos, sempre tive vontade de ir lá.
Outra coisa que sempre quis conhecer era neve. Como moro “acima” do Trópico de Capricórnio, minhas chances de ver neve são quando viajo, e até então nunca tinha dado essa sorte.
Fiz um roteiro e fui. Aproveitei também para conhecer albergues, pois nunca tinha ficado em nenhum.
Como primeira viagem platense resolvi ir para “mi Buenos Aires querido” e San Carlos de Bariloche para ver a tão esperada neve, nesta última.
Buenos Aires é muito bonita. Tem um ar meio europeu e em junho (época que fui) faz um frio de respeito e a galera anda na beca, principalmente nuestras hermanas, que nos fazem gostar ainda mais da Argentina...
Fiquei no albergue Milhouse (um pedaço da Inglaterra na Argentina, devido à quantidade de britânicos). O lugar é fantástico! Certamente um dos melhores (senão o melhor) albergues que já fiquei.
As instalações são legais e a área comum vive cheia de gente e é ótima pra fazer amizades. Sempre existem atividades lá como aula de tango, campeonato de winning eleven, festas... (na verdade tudo é um pretexto pra galera ficar por perto do bar, tomando cerveja e batendo papo)
Na primeira noite eu conheci uma galera, que conhecia outra, que conhecia outra, que conhecia outra... E na segunda noite eu já falava com 90% das pessoas. É incrível como muda nosso comportamento quando estamos sozinhos.
Só fiquei dois dias por lá, mas depois voltei pra ficar mais tempo.
Nesses dois dias tive uma dia pra passear de verdade e fui pra la boca conhecer La Bombonera!!!
La Bombonera é o estádio do Boca Juniors, mas infelizmente não tinha nenhum jogo e eu fui no estádio vazio mesmo. Não me importei muito, pois o mais legal foi sacanear os bosteros (torcedores do Boca) já que ele havia sido eliminado pelo Flu na Libertadores semanas antes.
Tirei até uma foto lá mostrando o placar do ultimo jogo!!!
El caminito em La Boca
El caminito em La Boca
Museu da paixão boquense (Boca Juniors)
La Bombonera (Boca Juniors)
La Bombonera (Boca Juniors) e o belo placar Flu 3 x 1 Boca!